segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O diário de Helena - Página 9



Não. O meu doutor não me ligou e nem eu liguei pra ele. Por que eles prometem ligar se nunca ligam depois? Só pra fazer o fofo? Ah, vai dar meia hora de... Cabeçada na parede. 

Enfim, por mais que eu queira esse homem mais que tudo, ele precisa fazer o papel de homem, né? Ligar, apenas isso. Não que eu não tenha atitude o suficiente pra fazer, eu até quero, quero muito. Mas vou bancar a difícil dessa vez. 

Bom, hoje não vim pra falar do Rodrigo. Milagre, não?
Vim contar uma super aventura que tive no bar com a Amandinha. Mentira, super aventura nada, foi só uma experiência diferente, digamos assim. Hahah. 

Fomos a um barzinho aqui perto de casa, bem conhecido até. Um lugar bem aconchegante, dão umas pessoas bonitas, tem música ao vivo. Já fui lá algumas vezes. Poucas, na verdade. A Amandinha terminou com o Leo (DJ) e já tava louca por uma nova boca. 

Chegamos lá e era um show no estilo ‘mistureba’, a banda tinha um repertório vasto, que ia da MPB ao axé. Interessante até, tudo que pediam eles tocavam. Foi bem divertido. 

Pegamos uma mesa perto do palco e logo começamos os trabalhos. De início, caipirinha pra agitar. Mal conversamos, Amandinha tava louca, dançando e cantando, na verdade se insinuando pro vocalista, que por sinal, cantava olhando, quero dizer, comendo a minha amiga. Eu tava me divertindo extremamente vendo aquela situação. Comecei a ficar alegrinha e também entrei no clima da Amandinha. Mas não, não me insinuei pra ninguém da banda, todos muito chinfrins pra mim. 

Nessa de tanto dançar e cantar, já com o barzinho lotado ao extremo, eu não avistava nenhum garçom. A sede me dominava, resolvi ir até o bar pedir uma cerveja. Quando cheguei lá, tinha um carinha pedindo. Olhei pra ele e meu alerta ‘homem maravilha’ já apitou freneticamente. Pedi minha cerveja e ele disse: 

- Não, não pede não. Acabei de pedir essa. Pede um copo no lugar de uma garrafa. 

Achei aquilo o must da maravilha. Pedi um copo, ele me serviu, brindamos e bebemos um gole. 

- Desculpa eu te abordar assim, mas é que eu já tinha te visto por aqui uma vez, hoje tornei a te ver lá na frente dançando, resolvi então te dar um oi, mais que isso, ser gentil. – Ele me disse com um sorriso estampado. 

Continuei bebendo e agradeci a gentileza. 

- Não me lembro de você por aqui, até porque vim poucas vezes e sempre tava muito cheio. Já é cliente da casa? – Eu disse disfarçando meu interesse por aquela boca vermelha, linda e maravilhosa, envolta de uma barba ralinha. 

- Não, não, vim poucas vezes também, talvez um pouco mais que você. Sou amigo do pessoal que tá tocando aqui hoje. Mas me diz o seu nome, nem perguntei, desculpa a minha falha! – Ele disse sorrindo, dando um gole naquela cerveja que parecia estar mais gostosa que as outras. 

- Helena. 

- Sou João. – Ele disse, extremamente charmoso. 

Não precisamos de muito papo não. Já fomos logo ao que interessava. Ele até tinha um papo legal, mas eu queria muito sentir aquela barba roçando no meu rosto, no meu pescoço. Ficamos ali naquele amasso gostoso, quando não sei por que cargas d’água, ao pedirmos mais uma cerveja, eu resolvi perguntar mais sobre ele, me interessei. 

- Mas me conta, você trabalha com o que? 

- Arquitetura. Na verdade eu estagio. Ainda estudo. 

OH WAIT! Pesquei um universitário? Eu sou demais nas escolhas! 

- Idade? – Eu questionei. 

- 25, recém-completados mês passado. 

Não aguentei e soltei uma risada controlada, mas de forma fofa. 

- Do que tá rindo? – Ele me perguntou rindo também. 

- Nada, na verdade nunca ia imaginar que você tem 25. Parece ser mais velho. 

- Nossa, eu tô tão acabado assim? – Ele disse brincando. 

- Não... É que sei lá, seu jeito, seu papo, sua postura, nunca imaginaria que teria 25. – Eu disse surpresa. 

- É que eu sou um cara bem legal, modesta a parte. Sei ser homem, não sou como esses por aí que saem se atracando com a primeira que vê, que não ligam quando dizem que vão ligar, que só pensam neles... 

Juro, juro que eu me contive pra não dizer: “Ah, então você é o cara inimaginável e inexistente da música do Roberto Carlos? O cara que pensa em você toda hora, que conta os segundos se você demora...” 

Eu apenas sorri e voltei a beijá-lo, me poupei de saber qualquer outra coisa que pudesse me deixar com mais vontade de rir. 

A Amandinha, como eu imaginei, pegou o vocalista lá da banda. Saíram do barzinho juntos. O João me levou em casa. Não, não foi de carro, nem de bicicleta, nem a pé, foi de táxi mesmo, hahahaha. 

Mas não trocamos telefone, ficamos de nos esbarrar lá pelo bar de novo. Sem contar que de certa forma ele sabia onde eu morava. 

Agora vamos às reflexões. 

Ele é bem bonito, tem um papo legal, tem pegada, parece ser inteligente e divertido. Mas imagina a situação: “João, pra onde vamos hoje?”, “Poxa, Helena, tenho que dar prosseguimento na minha monografia, vamos sair outro dia?”, “Não, meu universitário baby, eu vou é sair hoje mesmo, com ou sem você, boa sorte na monografia!”, hahahaha! 

Sem contar que os caras que optam por exatas, normalmente são bem doidos das ideias. Mas eu não quero saber disso, me diverti com essa minha pesca. 

Literalmente eu escolho a dedo os carinhas mais improváveis pra minha personalidade. Um universitário homem maravilha, terminando a faculdade, 25 aninhos, quanta sorte junta! Mas eu gostei dele, eu confesso. 

O balanço da noite foi ótimo, não paguei mico, não fiquei bêbada, minha calcinha não rasgou e não pensei no meu doutor. 

Mas em compensação passei por uma nostalgia tremenda que me levou a revirar fatos passados do tipo “o meu passado me condena”. 

Conto no próximo post.

6 comentários:

  1. Oi, conheci essa história hoje, através de uma amiga, e lá fui eu ler tudo.
    Realmente estou amando.
    Mil bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que maravilha, Keide, bom aber disso!!!
      acompanhe!
      Beijoca

      Excluir
  2. Ma merda né? Médico é o Caral#¨$@

    ResponderExcluir
  3. Na boa....vc já pensou em tomar vergonha e ir pra Put$#¨&*#

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Respondendo em nome da Helena...
      Ela não encontra vergonha pra tomar, não tem vendendo.
      Quanto a ir pra pqp, que falta de educação, anônimo, sua mãe não te ensinou que isso é feio não? Tadinha da Helena.
      Mas mesmo assim ela mandou um beijo pra vc!

      Excluir
  4. Oi Paty!!
    Eu venho acompanhando a história e tenho gostado bastante.
    Bjos

    ResponderExcluir